quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Deus e suas Faces - Pedro Guardião

O Deus muitas vezes é deixado de lado nos cultos pagãos, como se a energia da Deusa pedisse essa dedicação exclusiva. Isto é verdade em parte, pois não é possível cultuar o Deus adequadamente enquanto não mergulharmos na Deusa e nos despirmos do Deus do patriarcado.

A Deusa nos mostra que ele é seu Filho, Consorte, Defensor e Ancião, e aparece tríplice como Ela.


O Deus Jovem é, antes de tudo, a Criança da promessa, a semente do sol no meio da escuridão. Depois é o Garoto do Pólen, o fertilizador em sua face mais juvenil e traz a energia da alegria de viver, o poder de se maravilhar ante as descobertas da vida, é o experimentador, a face mais sorridente do sol matinal.

Daí surge o Deus Azul do Amor, o rapaz que cresceu e chegou na adolescência e desabrocha em beleza e masculinidade, é o Jovem Deus da Primavera, percorre as Florestas e acorda a natureza. Ele é o Apaixonado, aquele que primeiro busca a Deusa como a Donzela e propicia o encontro. É também o Deus da sedução ainda inocente, que ainda não conhece os mistérios da Senhora. Ele é toda a possibilidade.

Depois ele é o Galhudo e o Green Man, o Deus macho na sua plenitude, o Senhor dos Chifres que desbancou o Gamo-Rei anterior, ele é força e poder, músculos e vitalidade, ele cheira a sexo e promessas. Ele é o Grande Amante, atraído irresistivelmente pela Senhora e é o Provedor, o Sustentador, o Senhor Defensor. É o Senhor das coisas Selvagens, o Deus da Dança da Vida, O Falo Ereto, O Fertilizador. Como Green Man, ele também é o Senhor da Terra e sua abundância, o parceiro da Senhora dos Grãos. O Senhor dos Brotos, aquele que cuida dos frutos e os distribui pela terra.

Mas o Deus é também O Trapaceiro, o Senhor da Embriaguez, o Desafiador e o Ancião da Justiça. Ele nos faz seguir um caminho e nos perdemos para conhecer o pânico de Pan. Ele nos deixa loucos como Dionísio, ou perdidos nos devaneios de Netuno. Ele é o Desafiador, seja nos duelos, seja na guerra, na luta pela sobrevivência... ele é caprichoso e insidioso, ele nos engana, nos deixa desesperados e sorri - porque esse é seu papel, estimular o novo, mostrar que nosso desespero é inútil e só nos escraviza.

Como a Deusa, Ele está na fome e na saciedade, na vida e na doença terminal, na luz e na sombra, no que é bom para você e no que é mau. A Deusa nunca está só, ela tem sua contraparte masculina e, no entanto, Ele só existe por amor a Ela. Aliás, todos nós somos fruto dessa dança de amor. O Deus é o Ancião sábio, o distribuidor da Justiça, seja a que se impõe com sabedoria ou raios; Ele conhece os segredos dos oráculos, mas sabe que são Dela. Ele é o repositório do conhecimento, mas a sabedoria é Dela; Ele lê os sinais da natureza, mas sabe que quem os escreve é Ela.

E o velho sábio vai murchando e se transforma no Senhor da Morte; Ele que é o Senhor dos Dois Mundos, pois no ventre dela, de volta, ele vive sua morte e a própria ressurreição. Mistério e segredo, morte e retorno, Ele é o que atravessa os portais dos quais Ela é a Senhora. Ele, o Caçador, que também faz o papel de Ceifador. Ele que ronda o leito dos moribundos e dança a dança da morte. O Senhor dos esqueletos. Ele, que na dança da morte retoma o brilho do sol e sua face negra se ilumina, em uma explosão impossível de conter, e Lugh nasce outra vez. Ele que é Pai, Filho, Bebê Iluminado, Amante Selvagem, Sábio Educador. Ele, o Deus que se revela apenas pela Deusa.

Curiosidade: O Deus Azul ou Queer

O Deus Queer é considerado o primeiro reflexo visto pela Deusa quando Ela se mirava no espelho curvo e negro do Universo, fazendo amor consigo mesma para criar toda a vida. Ele é a própria imagem da Deusa refletida na luz do êxtase, momento infinito da criação. Se tornou o Seu primeiro amante e é a expressão do amor puro, a alegria ilimitada e a sexualidade em suas amplas manifestações. Ele representa não a heterossexualidade ou homossexualidade em si, mas a sexualidade como o abraço apaixonado do Divino, em cada um de nós e no Universo.

Assim, quando nos ligamos a uma outra pessoa no êxtase do amor, seja numa relação homossexual ou heterossexual, abraçamos o divino em nós mesmo, no outro e no universo. Esta é a chave para começar a conexão com o Deus Queer. Sendo assim, pagãos homossexuais ou bissexuais consideram seu patrono, já que ele pode ser considerado masculino e feminino, amado e se relacionando com ambos.

O Deus Azul é a própria manifestação do amor. Seu nome está associado com Diana, um dos nomes sagrados da Deusa, e a raiz da palavra inglesa 'glass', significando espelho. Isto nos dá a ideia de que o Deus Azul é a própria imagem da Deusa, refletida na luz do êxtase, no momento infinito da criação. Ele é a primeira manifestação masculina da Deusa e por isso está mais próximo da Deusa na maioria das tradições pagãs, o que nos dá mais indícios ainda de sua essência feminina.

Dian Y Glas é a própria manifestação do self profundo, aquilo que nos conecta com o Divino há tanto renegado e esquecido. Ele é visualizado como um Deus azul prateado ou como o próprio céu azulado. O Deus Azul está associado com a primavera, juventude e alegria. Ele é muitas vezes chamado de Espírito Pássaro e o seu principal símbolo é o Pavão com uma estrela prateada no peito.".

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