
Hator era a Deusa local de Per-Hathor (a
grega Afroditópolis, atual Guebelin) e de Dendera, mas acabou sendo adorada um
pouco em toda parte: em Mênfis, como Deusa da árvore "Senhora de
Sicócomoro", espécie "ficus sicomorus"; em Tebas, como Deusa da
necrópole (Hator-Imentet), "Senhora do Ocidente/do Oeste", com o
hieróglifo de Oeste ou Horsamtaui; tinha templos e era venerada em Heliópolis,
Atfih, Ombos, Deir el-Medina, Abu Simel, etc. Divindade de múltiplos nomes e múltiplas
atribuições, tomou a personalidade de diversas divindades egípcias e
estrangeiras, por exemplo, Ísis, Bastet, Sekhemet, Nut e Astarte. Os gregos a
identificaram-na com Afrodite (daí a nomeação da sua cidade como Afroditópolis).
A Deusa Hator, por exemplo, é adorada na forma de
uma mulher com chifres de vaca e um disco solar na cabeça, como uma mulher com
cabeça de vaca ou simplesmente uma vaca, cujo ventre salpicado de estrelas formava
o céu. A serpente e o corvo entram na composição dos emblemas que acompanham a
sua imagem. Como vaca, a Deusa apresentava seu aspecto de terna
mãe, revelando o simbolismo que os egípcios tinham da vaca e do terneiro e que
estava expresso na palavra "ames", "mostrar preocupação pelo
outro", que era escrito nos hieróglifos como signo final de uma vaca
girando a cabeça para lamber o terneiro, enquanto esse está mamando.
A sua representação como forma de vaca, também pode
advir da concepção egípcia que encarava o céu como o ventre imenso de uma Deusa
com essa forma e cujos quatro pilares de sustentação, os quatros cantos do
Universo, eram as suas patas. Realizou-se assim, um sincretismo entre a sua
concepção como Deusa do Céu e a representação como vaca, tendo, sob esta forma,
assimilando as características de outras divindades veneradas em diversos
pontos do Egito precisamente como vacas. A vaca era um animal considerado
símbolo da maternidade. Sob esse aspecto, era também figurada amamentando o
faraó, em vida e depois da morte.
Hator é uma das Deusas mais veneradas, conhecida
como “Dama da embriaguez e do êxtase", padroeira dos ébrios. O "Mito
da Destruição da Humanidade" contém referências específicas aos
procedimentos a observar nas festas da embriaguez comemoradas em sua honra,
durante cinco dias, com início a 20 de Thot, estação Akhet, primeiro mês do
calendário egípcio, equivalente aos meses de Julho-Agosto no calendário
gregoriano. Era um momento em que a cerveja era bebida em grandes quantidades e
se recitavam poesias eróticas. Hator era também padroeira do terceiro mês dessa
estação, Athir. O êxtase-euforia causado pela bebida era entendido e
usado como meio privilegiado para entrar em contato com "Ade Dendera"
e o copo de bebida era, por isso, outro dos seus emblemas sagrados.
Na mitologia Egípcia é a Deusa do céu, filha do Deus
Sol, Ra, esposa de Hórus, Deusa da fertilidade, protetora das mulheres, da
astrologia, do casamento, dos vivos e dos mortos, também era Deusa do Amor e da
Beleza, muito semelhante a Deusa grega Afrodite ou à Vênus dos romanos. Muitos
elementos na maquiagem da Deusa Afrodite é modelado no estilo do Egito de
Hator.
A Deusa Hator representava o amor e sexualidade e é
ainda, associada com os aspectos eróticos do vinho, da dança e da música. O
sitro, junto com a voz da sacerdotisa, proporcionava o principal acompanhamento
musical nos rituais culturais, um aspecto próprio de Hator em seu papel como
Deusa da sensualidade. Em conseqüência, as vezes, era decorado com o rosto
feminino de Hator com orelhas de uma vaca. Simultaneamente, Hator, é o modelo divino da feminilidade,
dos caracteres gentis, amáveis, ternos e sensuais associados ao feminino,
sendo, no fundo, a Deusa protetora das mulheres. Corporiza tudo o que há de bom
e de autêntico na Mulher: a beleza juvenil, a maternidade, a emoção, a alegria.
Era ela que conferia também, poderes de divindades
aos faraós entronizados: eles reinavam como Hórus, Filho de ísis, mas detinham
os seus poderes enquanto Hórus, filho de de Hator. No Império Novo, a própria
rainha era considerada uma encarnação de Hator: o faraó era Amon-Rá e a rainha
a Deusa Hator. Um exemplo paradigmático dessa associação, quase confusão é
Nefertari, esposa de Ramsés II, cujo Pequeno Templo de Abu Simbel lhe é
dedicado, a si e a Hator. Aliás, o altar desse templo mostra a vaca, ou seja,
Hator protegendo entre suas patas o faraó, no caso Ramsés II.
É considerada também como sendo uma divindade da
Batalha além de ser identificada com a Estrela Sírius. Os Egípcios acreditavam que Sírius detinha o destino
de nosso planeta. É para lá que iam as almas dos Faraós e sacerdotes após a
morte para "receberem instruções" e ganhar conhecimento. Alguns
historiadores pensam que à partir desta estrela chegaram ao Egito os Deuses que
ensinaram toda a sua sabedoria a este povo, cuja a forma é de uma novilha, doce
e maternal. A novilha celeste, a Deusa Hator e o fiel cão de guarda Anúbis,
lembram sem dúvida as crenças duma população camponesa cujas ideias e
cujos trabalhos se associavam intimamente aos animais da fazenda e da casa.
A imagem de Hator está presente em muitos dos
antigos templos egípcios, como na cidade de Dendera. Seu templo, neste local,
foi erguido no período de dominação grega e romana, embora também conservem
tumbas das primeiras dinastias faraônicas. As paredes de seu templo estão
cobertas de gravações dos Imperadores romanos Tibério, Calígula, Cláudio e
Nero.
No templo da cidade de Dendera, dedicado a Hator, as
colunas das duas salas hipóstilas têm capitéis em forma de sistro, que era o
instrumento musical sagrado da divindade. No centro de uma das paredes
exteriores, que era dourada, havia também um relevo representando um sistro,
demonstrando a importância deste instrumento no culto da Deusa, enquanto o
dourado evocava outro epíteto de Hator: o ouro dos

Deuses. Hator, a Dourada, é uma das mais antigas Deusas do
Egito. Conhecida como a face do céu, a profundeza, a Dama que vive num bosque
no fim do mundo, era uma divindade de muitas funções e atributos. A maternidade e o dom do aleitamento eram suas
propriedades principais desde os primórdios e assim permaneceram ao longo dos
tempos.
Sempre que os egípcios excepcionalmente abandonavam
sua terra natal, principalmente para explorar minas ou extrair pedras
preciosas, erigiam santuários de suas divindades em solo estrangeiro. Foi assim
que os Deuses e Deusas do Egito desfrutaram de uma variada aceitação ao longo
dos séculos. O culto de Hator em Biblos, surgiu, ao que parece, através dos
contatos comerciais nos quais esse porto do Levante servia como ponto de
entrada usado pelos egípcios até os ricos mercados do Próximo Oriente.
A absorção mais completa de cultos egípcios teve
lugar na terra que os faraós tiveram sob seu poder durante mais tempo, a Núbia,
ao sul do Egito. Ali os reis conquistadores do Império Médio Sunusret I e III,
construíram um templo de Hórus em Buhen, e eles mesmos foram objeto de
veneração durante o Império Novo, quando Amenófis III e Ramsés II implantaram
seus próprios cultos junto aos de Amóm, Ra, Ptah e Hator.
O nome dessa popular Deusa-Vaca, como sugerem os
signos hieroglíficos que o constituem, Hwt Hr, significa "Casa/Morada de
Hórus", isto é, sendo Hórus um Deus-Falcão, a abóbada celeste era sua mãe
e protetora; a sua casa era o céu. Hator, associando-se aqui à idéia de esposa
como "moradora" de seu marido.
No ciclo hórico de Edfu surge, não como mãe, mas
como esposa de Hórus. Em Kom Ombo, era esposa de Sobek e, como Hator de Dendera
une-se à Hórus de Edfu e concebe um filho chamado de Ihy. Como constata-se,
Hórus é algumas vezes seu marido e em outras, seu filho.
SÍMBOLOS DA DEUSA:
Os símbolos da Deusa Hator são: o sistro, o disco
solar, os espelhos, a cana de papiro, os leões, a cobra, o menat (um colar,
usado pelas suas sacerdotisas, não no pescoço, mas na mão, agitando-o).
No túmulo de Seti I, no Vale dos Reis, há uma
conhecida representação de Hator e do faraó, de mãos dadas (tocar nos Deuses
era uma prerrogativa exclusiva da família real), em que a Deusa lhe estende o
colar menat que traz no pescoço. Devido às conotações de renascimento
associadas a esse objeto, a cena simboliza o desejo e a concessão do
renascimento do faraó no Além.
Uma narração, encontrada gravada na tumba de
Tutankamón, conta a história da "Destruição da Humanidade". O Deus Ra
ante a rebelião dos humanos, envia sua filha Hator para castigar os rebeldes.
Hator, tomada de violenta fúria transforma-se em Sekhmet e se regozija em um
êxtase de sangue. Ra, para evitar a extinção da humanidade, embriaga a Deusa
com sete mil jarras de cerveja que tinham o aspecto de sangue humano. A ira da
Deusa transformou-se em uma doce embriaguez e cessa sua destruição.
As duas Deusas, a irada Sekhmet (conhecida também
como Hator do Oeste) e a satisfeita e doce Hator (identificada com a Deusa
Bastet e conhecida como Hator do Leste), atuam como as duas faces de uma mesma
natureza, expressões extremas de uma única paixão, a ira que pode ser
convertida em placidez, o amor que pode converter-se em ódio.
A fúria se expressa na arte faraônica sob o aspecto
de leão, encarnado o poder de destruir os inimigos, e com essa forma se
representava todo um leque de Deusas protetoras.
Um outro mito, conta que Hator descontente com Ra,
foi embora do Egito. Com muita saudade, Ra resolveu trazê-la de volta. No
entanto, Hator tinha se transformado em uma leoa selvagem que destruía todo
aquele que chegasse perto dela. O Deus Thot, usando alguns artifícios,
conseguiu conduzi-la de novo à sua pátria. Ao banhar-se no Nilo, deixa no rio
toda a sua raiva. O rio Nilo então troca de cor e se torna vermelho. Foi assim,
que perdeu sua natureza selvagem para reaparecer elegante e encantadora.
Entretanto, não perdeu a capacidade de retornar a sua antiga forma leonina.
As sete Hator são as fadas egípcias. Ostentando na
fonte a serpente "uraeus", dão-se as mãos formando uma cadeia de
união. A Deusa Hator em pessoa conduz suas sete filhas. De fato, a Deusa toma a forma de sete divindades
benfazejas que tornam favorável o destino da criança recém-nascida. Elas
regozijam o mundo com música e dança. O papel delas consiste em orientar,
emitir profecias, e não fixar os destinos de maneira definitiva. Mas o
enunciado da profecia, em função da magia do Verbo, torna-se por vezes
realidade.
Uma estela conservada em La Haye, datada da XIX
dinastia, mostra as sete Hator, prometendo uma descendência a um sacerdote de
Thot, em troca do culto que ele lhe presta. O contato era fácil entre essas
magas e o adepto do Deus da Magia.
Filhas da Luz, as sete Hator têm faixas de fio
vermelho com que criam nós: segundo o número de nós, sendo sete o número
benéfico por excelência, o destino da pessoa revela-se ou não favorável
conforme a decisão das "fadas".