quarta-feira, 28 de março de 2012

A Famosa Bruxa de Évora - Pedro Guardião


A feiticeira ou bruxa de Évora é uma das personagens mais populares e misteriosas do folclore e das lendas da magia, especialmente na esfera da cultura popular. Sua biografia é dispersa, incerta, cheia de contradições.  Até onde conduzem as pesquisas, não pode ser considerada figura histórica; no entanto, sua fama é suficiente para considerá-la arquétipo mítico de um certo tipo de bruxa, de feiticeira.
Sobre uma Bruxa de Évora, como pessoa localizada em um tempo, sua identidade primeira e verdadeira, sobre isso não há, nenhum registro que possa ser considerado como Histórico, documental, de fonte confiável. Documentos referentes à Bruxa simplesmente inexistem. 

É difícil até mesmo determinar a época em que viveu. A maioria dos textos/livros sobre uma Bruxa de Évora afirma que ela viveu no século... Outros, dizem que viveu em meados da Idade Média. Todavia,  um único de texto de referência permite supor que, na verdade, essa Bruxa é mais antiga, e que poderia perfeitamente ter vivido em pleno século III d.C.
Mítica, é possível que a primeira bruxa de Évora tenha sido tão poderosa e influente que seu nome tornou-se sinônimo para praticantes da bruxaria que vieram muito depois e também fizeram fama desde o antigo oriente Médio, Ásia Menor. Uma ideia de bruxa que alcançou não somente a Península Ibérica mas também toda a região costeira do Mar Mediterrâneo, os Bálcãs, as ilhas do mar Mediterrâneo: ao longo de séculos, a expressão "Bruxa de Évora", tornou-se algo como um título.

Em Portugal A Bruxa de Évora é o modelo de bruxa. Mas não somente em Portugal: este modelo de bruxa está na fantasia de toda a Península Ibérica e nos territórios que foram descobertos e conquistados pelos grandes navegadores ibéricos da Idade Moderna.


É praticamente inexistente o material documental sobre a pessoa específica de uma Bruxa relacionada, residente ou oriunda da região de Évora. Livros, biografias sobre essa personagem são poucos e contém informações de fonte duvidosa ou desconhecida. Edições de obras bem conhecidas não mencionam datas ou originais. Dois livros destacam-se nessa bibliografia exígua: O Livro da Bruxa ou Feiticeira de Évora de Amadeo de Santander e A Bruxa de Évora, de Maria Helena Farelli.

No primeiro, no que se refere à biografia da Bruxa, o que se encontra, logo no primeiro capítulo é uma reprodução ou tradução de outro texto de autor praticamente desconhecido: capítulo do Livro de São Cipriano, sabe-se lá em qual de suas repetitivas versões mas, muito possivelmente da edição em espanhol Gran Libro de San Cipriano o los tesoros del hechicero.
O capítulo, intitulado 'La Hechicera de Evora o Historia de La Siempre Novia' (Siempre Novia, referência uma das lendas mais difundidas sobre a Bruxa) teria sido, supostamente, extraído de um manuscrito cujo autor é um certo, ou incerto, Amador Patrício.

No segundo, em A Bruxa de Évora, Maria Helena Farelli apresenta a personagem como arquétipo folclórico luso-hispano-brasileiro, com ênfase nas raízes portuguesas da lenda, já devidamente hibridizadas entre:
1. druidismo celtíbero doméstico.
2. culto romano à deusa Diana  (correspondente à grega Ártemis), cujas ruínas do templo ainda podem ser visitadas em Évora.
3. A figura mítica da moura feiticeira, frequentemente apresentada, simplesmente e depreciativamente como a Moura Torta, um modelo de bruxa, tudo isso misturado ao ritualismo cristão das orações e adoração dos santos e das relíquias e nome sagrados.

No livro de Farelli, a narrativa passa, como é necessário, pela história da nação lusitana, detendo-se em período em que a cultura popular mística-religiosa já tinha absorvido elementos que ficaram como herança do tempo da dominação islâmica-sarracena em toda a península Ibérica. Boa parte dessa herança consiste no universo misterioso na magia semita, caldaica, mesopotâmica: dos magos-alquimistas, astrólogos, videntes, quiromantes, necromantes – invocadores de gênios e espíritos dos mortos, magia-negra, também, sim, da mais antiga tradição árabe, pré-Islã, tornando o livro rico em conhecimentos mágicos de antigas tradições.

4 comentários:

Michel disse...

Evora sem dúvida foi a mais temida de todas as bruxas, seus feitiços eram tão fortes que até mesmo um padre se rendeu aos seus encantos, Evora usava seus feitiços para dominar os homens e acabou sendo temida devido ao seu grande poder, todas as bruxas além de teme-la, admirava sua força espiritual.
Eu vejo um pouco dela em mim, ao invés de perseguir suas vitimas, ela prefere atraí-los, o que faz muito bem...
Ótimo post! Parabéns, e cuidado com ela...
"Évora, A Bruxa, vive dentro daqueles que escutam o canto da Mãe do Mundo."

Abraços.

Michel Shahin

Sandrini disse...

Admiro muito essa bruxa lendária, que deixou tanto e ao mesmo tempo não tem nada. Quando eu crescer, quero ser que nem ela!

Parabéns Pedro! Adorei o post!
Abraços~

Victor Augusto de Souza disse...

Pedro, ótimo post!
Acredito que a Bruxa de Évora vem mexer no nosso lado mais obscuro para vermos além...
Parabéns pelo texto.
Abraços

Helena Cruz disse...

Muito interessante o post! Eu estava ontem mesmo perguntando sobre as Bruxas Ancestrais para a minha irmã Sandrini (que comentou logo a cima xD) e ela citou Évora, me interessei e foi logo que dei de cara com a postagem.

Pedro, qualquer dia você poderia postar uma das histórias dela aqui? Seira muito interessante isso!

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