
Sem precisarem de sofisticadas teorias ecológicas, os povos andinos nunca deixaram de amar e reverenciar Pacha Mama, a provedora de todos os alimentos, nutridora e protetora de seus filhos. A agricultura existia nos Andes desde o século 3 a.C. e incluía avançadas técnicas de irrigação, de seleção e de adaptação de diversas espécies vegetais, em função dos fatores geográficos e climáticos. A religião praticada pelas tribos andinas, antes de sua conquista pelos incas, refletia, de forma singela, sua permanente observação e conexão com as forças da Natureza e os ciclos das estações.
Os elementos naturais (Sol, Lua, estrelas, vento, nuvem, chuva, arco-íris, relâmpago, terra, água, montanha) eram divinizados e reverenciados com cerimônias e oferendas. Até o século XIII, quando os incas conquistaram e dominaram as tribos esparsas, impondo sua hierarquia social e religiosa e introduzindo os bárbaros

Era importante lembrar e agradecer sempre à Pacha Mama, para que ela não se zangasse e assumisse seu aspecto de dragão, que sacudia a terra e provocava terremotos, enchentes, geadas ou secas. Os viajantes deixavam oferendas nas encruzilhadas antes de iniciarem suas caminhadas, também se pedindo a proteção de Pacha Mama antes de subir uma montanha, de forma a evitar o mal de alturas ou a queda nos precipícios (castigos que ela infligia àqueles que a desrespeitavam ou ofendiam suas criaturas).
Até hoje, nos lugares mais isolados da Bolívia, Peru e Equador, são realizados rituais e oferendas tradicionais para agradecer a Pacha Mama pela saúde, trabalho, bens e prosperidade. Acredita-se que Pacha Mama também tem fome e que precisa ser alimentada antes de lhe ser pedido qualquer favor. As oferendas, às vezes, são queimadas, junto com resina de copal, para que a fumaça leve as orações para todos os cantos da terra.
No mês de abril celebra-se o Dia Internacional da Terra. Nada melhor para marcar essa data do que realizar um ritual pessoal ou coletivo de gratidão para a Terra, que é nossa eterna Mãe.